“Olhos, pele e cabelos claros”; Juíza de Campinas diz que réu não tem ‘perfil de bandido’

O Trecho foi redigido em 2016 e o réu foi condenado por latrocínio e tentativa de latrocínio.

O trecho foi tirado de uma sentença dada pela juíza Lissandra Reis Ceccon, em Campinas (SP), após ter condenado um homem de latrocínio, roubo seguido de morte, e tentativa de latrocínio.

A citação repercutiu nas redes sociais surpreendendo a todos inclusive o advogado do acusado, que acredita ter havido“infelicidade na redação.

O réu na época foi condenado a 30 anos de prisão e teve que pagar uma multa por ter matado um homem a tiros em 2013, durante um roubo de uma caminhonete.

A juíza não se manisfestou e foi orientada pelo TJ-SP a não se pronunciar sobre o assunto, pois o caso está em sigilo. Enquanto isso ela continua atuando na 5ª Vara Criminal da cidade.

O Tribunal de Justiça do Estado (TJ-SP), afirma que tem uma lei que não permite a manifestação sobre o caso, a Lei Loman, Lei Orgânica da Magistratura Nacional.

“Não cabe ao Tribunal de Justiça de São Paulo se posicionar em relação aos fundamentos utilizados na decisão, quaisquer que sejam eles. […] Cabem aos que, eventualmente, sintam-se prejudicados procurar os meios adequados para a solução da questão. A Corregedoria Geral da Justiça do TJ-SP está sempre atenta às orientações necessárias aos juízes de 1ª instância, sem contudo interferir na autonomia, independência ou liberdade de julgar dos magistrados”, segundo o que consta na nota.

O CNJ, Conselho Nacional de Justiça, alegou que não convêm a eles avaliar o trabalho jurisdicional dos magistrados, que sua principal função é controlar as funções administrativas e financeiras do Poder Judiciário.

O advogado, Danilo Bueno, que trabalhou no caso com a juíza falou em reportagem sobre a conduta da mesma e considerou que a expressão usada foi infeliz.

Afirma que a juíza é respeitosa, trata todos bem e é educada, e quem lê o que falam sobre ela realmente fica assustado com o caso, porém, não a conhecem e a julgam, e por fim ele comenta que a redação foi infeliz com a escolha das palavras e que isso não faz jus a mesma.

Danilo Bueno conta que soube do caso após uma funcionária lhe contar o que estava acontecendo nos grupos do WhatsApp.

Complementando o que foi dito, o advogado acrescenta que não tem relação pessoal com a juíza e afirma que não houve desrespeito com seu cliente na época do julgamento.