Ponto de assistência às famílias de vítimas de Brumadinho tem correntes de oração, parentes desesperados e solidariedade

A Vale transformou o espaço de projeto social da empresa em ponto de assistência para familiares das vítimas da tragédia em Brumadinho, Minas Gerais.

A enorme tragédia do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, Minas Gerais, arrastou pela lama tantas vidas, animais, foram tantas famílias atingidas por esta dor, angústia, desespero, esta tragédia tem causado comoção não só em nosso país, como no mundo afora.

São 60 vítimas fatais confirmadas até o momento, são mais de 300 pessoas desaparecidas, uma catástrofe, famílias desesperadas passam o dia todo aflitas em busca de uma notícia e com a esperança de encontrar seus parentes desaparecidos.

Em meio a todo este sofrimento, está angústia sem fim, os familiares das vítimas se reúnem em um espaço de projeto social da Vale, transformado em um ponto de assistência para as famílias, em busca de informações sobre seus parentes desaparecidos, os funcionários da Vale atendem um por um, verificam em uma lista o nome da pessoa por quem procuram, para checar se já foram localizados ou não.

No local estão também enfermeiros, prontos para atenderem aos familiares, muitas pessoas passam mal ao saber que seus parentes ainda não foram localizados nesta calamidade.

A lista divulgada pela empresa teria que ser atualizada a cada 6 horas, mas diante das dificuldades, isto não tem acontecido, diante desta angústia, a esposa de um funcionário desaparecido, Daniela Fernandes de Oliveira, 38 anos, chegou a fazer um desabafo, onde cobrou informações dos responsáveis pela Vale.

“Estou cansada de horário. É 10h30, 11h, 12h, 12h30… Eu não estou esperando um resultado de concurso público, não! Se meu marido não tem valor para vocês, tem para mim! Ele é meu esposo, pai da minha filha, filho da minha sogra. Ele é um simples funcionário de vocês, substituível, mas para mim não é!”.

Daniela está aguardando informações sobre seu esposo, Reinaldo Simão de Oliveira, o casal possui dois filhos, a mulher desesperada cobra para que esta catástrofe seja resolvida, em seu desabafo diz que ‘quer seu marido dentro de sua casa, assim como ele saiu de lá’.

Durante algumas vezes ao dia, os familiares das vítimas se reúnem em um grande círculo, dão as mãos e fazem orações, rezam ‘Ave Marias’, ‘Pai Nossos’ e cantam hinos evangélicos.