Voluntário descreve resgate de Brumadinho como um verdadeiro ‘inferno’ com crianças chorando e fogo

A professora do ensino fundamental Silvânia, mora perto de Brumadinho e decidiu ajudar no resgate, porém, ao chegar lá se desesperou com o que viu

Silvânia Fonseca Moraes é uma educadora que trabalha ensinando crianças do ensino fundamental, ela mora no bairro Casa Branca, que fica aproximadamente 16 quilômetros de distância do local onde a mais recente tragédia do Brasil aconteceu, o rompimento das barragens da mina Córrego do Feijão, da Vale, localizada em Brumadinho, Minas Gerais.

A professora retornava de um triste velório de um parente falecido quando recebeu as primeiras notícias do que tinha acontecido na região de Brumadinho, na sexta. No dia seguinte Silvânia que já atuou como brigadista voluntária em outras ocasiões, ajudando em incêndios florestais, nunca tinha participado de resgates e explicou que ao ter contato com os feridos de Brumadinho, experimentou uma das coisas mais traumatizantes em sua vida até então.

Fonseca chegou até o local do acidente e logo foi classificada para ajudar uma das várias equipes do Corpo de Bombeiros nas buscas por sobreviventes e corpos desaparecidos. A mulher contou que jamais assistiu filmes de terror, pois, não tinha nenhum interesse em tal tipo do filme.

Mas que teria presenciado cenas de terror ao vivo durante o tempo que ficou auxiliando a equipe do Corpo de Bombeiros. A brigadista teria presenciado os profissionais em resgate encontrarem diversos corpos já sem vida nos escombros.

A tragédia que impactou todo o Brasil se tornou viral nas redes sociais e rapidamente tomou conta da mídia nacional. Centenas de pessoas de vários cantos do país estão ajudando nos resgates e até mesmo grandes times do futebol brasileiro ajudaram com doações em dinheiro.

A equipe da BBC News Brasil conversou com vários voluntários que ajudavam em Brumadinho e Silvânia explicou que ao ver as notícias na televisão, concluiu rapidamente que os bombeiros e policiais iriam precisar de toda a ajuda possível para conter o caos na região.

Contou que como havia um jipe a su disposição, não pensou duas vezes antes de ir até Brumadinho levando vários tipos de alimento para os socorristas e para as pessoas que perderam tudo após o rompimento da barragem.

A professora exaltou que jamais viu algo tão desesperador na sua vida, a lama e o barro varreram tudo o que estava pela frente e não deixou nada.